"Salve Geral" estreia com protesto de mães de vítimas do confronto entre PCC e polícia

 

Rodrigo Bertolotto (UOL)

A manifestação, inicialmente marcada para acontecer na frente da sala de cinema Espaço Unibanco, na região central de São Paulo, acabou transferida para o shopping Center 3, em plena avenida Paulista. Tudo porque a produção não entrou em cartaz no cinema da rua Augusta como estava inicialmente programado.
O grupo chamado de “Mães de Maio”, apoiado por outras associações, fez uma curta passeata com faixas e cartazes e se postou na frente do shopping, acedendo velas ao lado de fotografias de algumas dezenas de mortos entre os 493 que foram assassinados entre os 12 e 20 de maio de 2006 no Estado de São Paulo.

 

“Esse filme falta com o respeito com a memória de quem morreu por esquadrões da morte e pela própria polícia. Faltou mostrar a realidade do que aconteceu”, criticava Débora Maria da Silva, que teve o filho Édson Rogério assassinado no período em São Vicente, litoral paulista (confira o vídeo abaixo com o testemunho das mães).
Indicado brasileiro para disputar a nominação ao Oscar de filme estrangeiro, “Salve Geral” conta a história de uma mãe, interpretada por Andrea Beltrão, que vive o drama de defender o filho presidiário em meio aos eventos de três anos atrás, que deixaram o Estado em pânico e causaram a maior crise de segurança do país.
“A única coisa boa desse filme é que ajudou a abrir a discussão sobre um tema que estava esquecido”, afirma Débora, que preside a Associação de Amparo a Mães e Familiares Vítimas de Violência, também conhecido como “Mães de Maio”.
Outra mãe de vítima, Vera Lúcia de Freitas diz que faltava uma referência aos fatos em que o filme é baseado. “Tudo bem que é uma ficção. Mas, no final, podia mostrar a quantidade de mortos e a impunidade que acontece até agora”, declarou a mãe.
Rose Nogueira, diretora da associação Tortura Nunca Mais, estava também no protesto. “Admiro o diretor Sérgio Rezende, mas ele tem que fazer um `Salve Geral 2´ para mostrar o que de verdade aconteceu em São Paulo”, disse a ativista.
O ato reuniu cerca de 50 manifestantes. Eles permaneceram na calçada da avenida Paulista e não tentaram entraram no shopping, cujo cinema exibia o filme. Atos semelhantes aconteceram no Rio e em Salvador, organizados por entidades ligadas aos direitos humanos.


Rodrigo Bertolotto (UOL)

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